20 de mai de 2012

CARLOS FUENTES - Perda Irreparável


       
          
       Morreu o escritor mexicano Carlos Fuentes

         PUBLICO. PT - Jornal do Dia - Portugal - Terça-Feira, 15 de Maio de 2012, às 16:52
         Por Isabel Coutinho.
   
       O escritor Carlos Fuentes morreu hoje [15 de Maio de 2012] no México, onde se encontrava internado no hospital de los Ángeles del Pedregal, na Cidade do México.

        O Ministério da Cultura mexicano confirmou o óbito. E segundo a AFP, o presidente Felipe Calderón deixou uma mensagem na sua conta no Twitter: “Lamento profundamente o falecimento do nosso querido e admirado Carlos Fuentes, escritor e mexicano universal. Descanse em paz”. 

        O Prémio Cervantes (1987) e Prémio Príncipe de Astúrias (1994) morreu de problemas cardíacos, aos 83 anos. Tinha começado a escrever aos 29 anos e o seu último romance “Adão no Éden” foi publicado recentemente pela Porto Editora. 

        É ainda autor de “O velho Gringo”; “Cristóvão Nonato”, “Constancia e outras novelas para virgens”, “Aura”, “A laranjeira”, “Diana ou a Caçadora Solitária”, “A Campanha”, “Aquilo em que acredito” (todos editados em Portugal pela Dom Quixote). 

        A Porto Editora, depois de ter lançado o seu último romance, tem prontos a publicar dois volumes que reúnem os contos do autor: “Contos naturais” e “Contos sobrenaturais”. O editor Manuel Alberto Valente disse ao PÚBLICO que já estão traduzidos, estavam agendados para 2013 mas agora poderá vir a ser antecipada a sua publicação. 

        “Carlos Fuentes foi o mais ‘infeliz’ dos três grandes nomes do 'boom' da literatura latino-americana: Gabriel García Marquez, Mario Vargas Llosa e ele”, diz Manuel Alberto Valente. "Só que os outros dois ganharam o Prémio Nobel. Do Fuentes falava-se sempre que podia ser um candidato ao Nobel mas infelizmente não o teve". 

        Manuel Valente lembra que, também em termos de vendas, foi sempre um autor menos lido do que os outros Marquez e Llosa. “Pelo menos em Portugal nunca teve um grande sucesso de público. Mas é um autor extremamente importante e o facto de ter tido sempre menos sucesso que os outros dois pode explicar-se por ser o mais político dos três. A obra dele é muito o espelho do México e das suas vicissitudes políticas. É um autor muito marcado ideologicamente e isso talvez tenha contribuído para que não tenha sido um autor tão popular. Mas é indiscutivelmente um dos grandes nomes da literatura latino-americana e da literatura mundial.”

        “'Adão no Éden’ não é uma novela inovadora no tema, recorrente no trabalho de Carlos Fuentes”, escrevia Fernando Sousa no Ípsilon de 11 de Maio de 2012. “É possível encontrar os mesmos cenários e personagens semelhantes em ‘La tierra más transparente’, a sua primeira obra, de 1958, um texto que é uma espécie de inventário da sociedade mexicana; em ‘Artemio Cruz’ (1962), reflexões-à-beira da morte de um antigo revolucionário convertido num político de esquemas, corrupto e corruptor, que à hora de desaparecer conta o passado com a sinceridade própria de quem já não tem nada a perder; e em ‘La silla del Àguila’, nova radiografia do poder onde Fuentes imagina o seu país no ano 2020.” 

        E acrescentava o crítico: “Mas é na sua inspiração literária uma obra apoteótica no estilo que o autor adoptou para nos mostrar o que o México, o México sinistro, lhe mostrou a ele em mais de oito décadas, uma obra que remete por assim dizer para as inaugurais, as dos primeiros anos de escrita, quando a sua estrutura ainda se desenvolvia. Uma obra-mestra.”


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