29 de fev de 2012

ALCEU AMOROSO LIMA / Intelectualismo Filosófico

Alceu Amoroso Lima

                por Pedro Luso de Carvalho


       ALCEU AMOROSO LIMA (Tristão de Athayde, era o seu pseudômino) nasceu no Rio de Janeiro, a 11 de dezembro de 1893 e morreu em Petrópolis, a 14 de agosto de 1983. 

       Foi crítico literário por mais de 40 anos, tendo começado no rodapé dominical de O Jornal, que manteve de de 1919 a 1945. Colaborou no Diário de Notícias, no 'Jornal do Brasil', e em La Prensa, de Buenos Aires, Argentina. 

       Foi Diretor do Departamento Cultural da União Pan-Americana, em Washington (1951 a 1953); representante da O.E.A., na Conferência Geral da UNESCO (Paris, 1952); delegado do Brasil à Conferência Pan-Americana de Caracas (1954); deu, em 1950, um curso de “Civilização brasileira” na Sorbonne e na New York University. Foi membro da Academia Brasileira de Letras e do Conselho Nacional de Educação.

       Segue a transcrição de Intelectualismo Filosófico, capítulo do livro  Europa e América/Duas Culturas, de Alceu Amoroso Lima:

[ESPAÇO DA CRÍTICA]

                           INTELECTUALISMO FILOSÓFICO
                                                                                    (Alceu Amoroso Lima)



         Em filosofia, o que devemos é assegurar a continuidade entre a obra cultural européia e o nosso próprio esforço incipiente nesse terreno.

         A cultura nos ensina que a filosofia é o seu ápice no plano natural. Ensina-nos que a filosofia, longe de ser um luxo ou um conhecimento supérfluo, é o exercício natural da inteligência humana e o fundamento do verdadeiro humanismo. Ensina-nos que a filosofia é a procura da verdade e não depende, por conseguinte, de condições acidentais ou mesmo do estado ocasional das ciências, das instituições políticas ou da economia dos povos, tendendo por sua natureza ao universal, ao que é permanente e eterno, podendo ser uma atividade de povos jovens ou velhos, pobres ou ricos, embora dependa essencialmentede um laço contínuo com o passado. Por isso mesmo deve a tradição filosófica européia ser sempre a base de toda a atividade filosófica americana. 



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(In AMOROSO LIMA, Alceu. Europa e América. Duas Culturas/Ensaios. Rio de Janeiro: Agir Editora, 1962, p. 52.)


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